“- Quem estará nas trincheiras ao teu lado?

  ‐ E isso importa?

  ‐ Mais do que a própria guerra.”

 

Esse diálogo, atribuído ao escritor norte-americano Ernest Hemingway, nos leva a uma série de reflexões, de modo que em todas elas, a condição de quem está ao nosso lado tem um valor fundamental.

Neste domingo (12), ocorrerão pelo país manifestações pedindo o impeachment de Jair Bolsonaro. Diferente do que tem ocorrido nos últimos meses, esses atos não estão sendo articulados e puxados pelas organizações do campo progressista, mas sim pelo MBL (Movimento Brasil Livre), que até pouco tempo atrás apoiou Eduardo Cunha no golpe contra a Presidenta Dilma Rousseff, apoiou o governo Temer e até um passado próximo, esteve na base do governo Bolsonaro votando a favor de todas as reformas prejudiciais ao povo brasileiro.

Desta forma, é um equívoco comparecer aos atos do dia 12? Para responder esta questão é necessário compreender que ter um objetivo tático em comum, que é a derrubada do Bolsonaro, não torna o campo progressista e o MBL aliados. 

Parte da direita tem agido no esforço de se reposicionar na arena política, de modo que, para que isso ocorra, a desvinculação com Bolsonaro é essencial. Porém, cabe destacar que o problema não é a agenda política e econômica do governo, mas a figura abjeta de Bolsonaro. Ou seja, o MBL pode até ser contra o Bolsonaro, mas defende a mesma agenda que ele.

A tática do MBL é evidente: busca criar uma terceira via através da mobilização nas ruas, onde o esvaziamento das pautas levantadas pela esquerda é o caminho. Com isso, despolitiza o processo e se isenta do estrago neoliberal que ajudou a causar.

Uma análise de conjuntura não pode ser feita senão com o objetivo de capturar o ser “precisamente assim da realidade” como dizia Gyorgy Lukacs. Desta forma, não nos cabe meio termo: se queremos defender a democracia, a reconstrução do país e um futuro que nos permita sonhar, devemos lutar contra Bolsonaro e o bolsonarismo.

Portanto, não faz o menor sentido o campo progressista participar  do ato que tem sido puxado por um movimento que foi fundamental para esvaziar o conteúdo da nossa democracia. Não ir às ruas no dia 12 não significa sectarismo. Pelo contrário. Significa que não abriremos mão do debate político e econômico do “Fora Bolsonaro” para limpar a barra de grupos de direita, e mais do que isso, que não aceitaremos entregar a direção das ruas e da resistência para estes.

No mais, até o dia 2 de outubro: O verdadeiro Fora Bolsonaro!

 

Hugo Almeida

Hugo Almeida

Militante do Coletivo ParaTodos e Diretor de Relações Institucionais da UNE

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